domingo, julho 31, 2005

 

Vou sentir tanto a vossa falta...

Hoje não vou sentir falta de descer as escadas a correr, atrasada para um serviço
Não vou sentir falta de chamar “víbora” à Koto, “pirosona” à Oliveira ou “chefa mãe” à Maria Jorge Costa
Não vou sentir falta de passar pelo Desporto, chamar “banana” ao Raminhos, “fofinho” ao John, e atirar ao Bruno Pires e ao Carmo que o Benfica é o melhor clube do mundo
Não vou sentir falta de tratar o Cláudio por “coleguinha”, o Guedes por “o mais fofinho” e a Adriana por “marafada”
Não vou sentir falta de passar pela Mila e gritar que “já cá venho tratar dos vales”, ou de folhear a “La Redoute” da Sandra
Não vou sentir falta de subir ao 7º andar e pregar um susto de morte à Catarina, gozar com os caracóis da Diana, chamar “Júuuulia” à Maria e afirmar convictamente que são todas umas “gosmentas”
Não vou sentir falta de ver a Mira a resolver tudo
Hoje não vou sentir falta das piadas pornográficas do Pedro Castro, da gargalhada da Goulart ou da calma do Maltez
Nem sequer vou sentir falta de passar pelo Paulo Reis e perguntar pela “patroa”
Não vou sentir falta de chamar “sonsas” à Cavaco e à Paula, de fazer cócegas à Vera, de perguntar como vai o gato da Gi ou de comer as bolachas da Lena
Não vou sentir falta de mandar o Alexandre ir fumar lá para fora ou de responder às perguntas retóricas do Borges mais velho
Não vou sentir falta de mandar o Fred cortar o cabelo ou de acusar o Pedro dos gráficos de ser sempre o primeiro a comer nos jantares de grupo
Hoje também não vou sentir falta de chamar “grande sonso” ao Nascimento ou de injuriar a Elsa por me ter enganado na data dos saldos
Não vou sentir falta dos olhos azuis da Patita nem das sardas da Mariana
Não vou sentir falta de perguntar à Patrícia como vai a Saúde, nem de oferecer ao Teixeira fotos de gajas boas para decorar a parede do Desporto
Hoje não vou sentir falta de tratar o Bruno Silva por “vizinho” nem de encontrar a Ana Clara nas escadas, a fumar mais um cigarro
Não vou sentir falta de ouvir o “Gouveia aqui”, de ver o Lázaro a dormitar na secretária, de me cruzar com o Cameraman nos elevadores, ou de ouvir a Tânia a gritar "olá, borracho"
Não vou sentir falta de ouvir o Dani a dizer "portem-se bem, meninas" ou de ter o Belarmino à perna porque, uma vez mais, lhe estou a bloquear o carro
Não vou sentir falta de ligar aos gráficos pela 34ª vez consecutiva, na esperança que operem um milagre e me metam o texto todo na página, nem de pedir encarecidamente ao Erast que me ajude a instalar o Messenger
Nem vou sentir falta de implorar ao Rogério ou ao Caria que me dêem um jeitinho na foto da 47, de passar a mão no cabelo do Baratinha, nem dos cafés com o Pedro no S/L, ao fim da tarde
Não vou sentir falta de dizer “até amanhã” ao Sr. Cardiga ou às meninas da segurança, com a certeza que amanhã voltarei
Hoje não vou sentir falta de nada disto. Tenho a vida inteira para o sentir...

 

Como vou viver sem...

Como vou viver sem “o filho que nunca tive” Rui Teixeira; sem os “marretas” Rui Antunes e Luís Carmo; sem o “duplo queixo” do Bruno Pires que me fumava meio maço de tabaco por dia; sem os “tête-à-tête en la franciu mai correct du munde” que tinha com o Raminhos; sem a Fernanda Mira que tantas vezes me disse «aquele que tenho em casa já me dá trabalho mais que suficiente» e que percebe instantaneamente que a noite anterior foi “dura”; sem o “he heeeee” do Paulo Reis cada vez que dizia uma daquelas piadas fáceis de que tão adepto sou e que no fundo, lá bem no fundo, ele até gosta; sem a cabeça grande da Koto (por causa de ti, cada vez que vejo um polaco só me apetece ir medir a cabeça dele para ver se a tua teoria é mesmo verdade); sem o manjerico do meu parapeito Mila; sem o abanar de cabeça reprovador da Sandra cada vez que tenho os meus “tête-à-tête en la franciu mai correct du munde”; sem as apalpadelas maléficas das belas mamocas do Chagran Master; sem a voz de cama da Ana Clara; sem as picardias com Mariana que a punham em brasa e que acabavam sempre com ela a dizer palavrões e com o inevitável “O QUE TU QUERES SEI EU Ó!”; sem as noites loucas no Jamaica e no Plateau com o Luís Claro nas vésperas das suas folgas (a tua sorte é que a Vera e Ana Cavaco não estão lá nesses dias); sem a boa disposição sempre contagiante da Tânia; sem os relatos de futebol improvisados com a respectiva voz colocada do Pedro Castro; sem a bondade, gentileza e tranquilidade do Maltez, da Patita, da Marta, do Fanan e da Susana Dutra (merece um lugar no céu por ter de aturar o Bruno Pires), sem as gargalhadas da Goulart (que se ouviam na Praça de Espanha e que acordavam os pobres bichos que descansavam no zoo); sem a boa disposição dos manos Borges que apenas olham para um gajo com algum rancor quando o Benfica está a perder e os sportinguistas torcem pela equipa adversária (Boavista alez... Boavista alez... Boavista aleeeeeeez!!!!); sem as massagens da Elsa que não conseguia receber porque tenho cócegas; sem as piadas que apenas o João Nascimento se lembraria; sem a “camionista” da Oliveirinha que é capaz de intimidar qualquer um com as suas mortíferas respostas sempre que estava com a janela aberta; sem os piropos (eu sei, às vezes eram bem pirosos) à Maria Jorge Costa; sem as conversas intermináveis (e ensurdecedoras) da marafada quando faltavam 10 minutos para fechar e 2500 caracteres para escrever; sem as inseparáveis “fofinhas” do sétimo andar que até escrevem umas coisas engraçadas naqueles blogs de gajas que falam de celulite e gajos suados em ginásios que ensaiam coreografias arrojadas e inovadoras; sem os olhares (in)discretos do Claudinho, Claudinho (olha que eu estou a ver...); sem a pilha de papeis em cima da mesa do Guedes que teimava em cair, vezes sem conta, para cima do seu teclado de onde saem verdadeiras preciosidades do jornalismo (e onde passava horas a fazer contas); sem histórias e piadas hilariantes do Lázaro o último e verdadeiro marialva; sem a janela também sempre aberta da Lídia Bulcão quando estava mesmo ao lado do desporto (peço desculpa, em nome da secção, pelas imensas barbaridades que tiveste de ouvir); sem as discussões de terça-feira com o Pedro por causa da página do automóvel que acabavam sempre da mesma maneira: nós os dois a ofendermo-nos violentamente e um telefonema para o Hugo que me desenrascava sempre; sem o patriotismo (alemão) do Joquinha que esgotava sempre as Super Bock na máquina; sem os olhos inchados e cabelo despenteado do João Santos sempre que chegava ao jornal, acabadinho de sair da cama; sem as conversas de sexo e comida (temas quase sempre puxados pela Lígia) na sala do café; sem as habituais trocas de galhardetes (que envolvem sempre homossexualidade) com os “rabilons” da fotografia; sem as dúvidas de futebol da Helena Mata sempre que tinha de escrever algo relacionado com o assunto; sem os lamentos que surgiam porque a Gi escrevia demais ou estava atrasada quando faltavam 10 minutos para fechar e 2500 caracteres para escrever; sem a simpatia da Paula Macedo; sem a eficácia do Blarman e do Danny Boy que arranjavam sempre aquela fotografia (mesmo que seja de há 10 anos e mal se percebe que é a pessoa que queremos ilustrar); sem as aulas teóricas da história do acento circunflexo quando faltavam 10 minutos para fechar e 2500 caracteres para escrever dadas pelo Alho e pelo Gouveia; sem a imensa coragem e alegria de viver (mesmo quando não existem razões para haver alegria) da Edite; e sem as formatações intermináveis do Erast?

Como vou viver sem isto? Não sei... Mas uma coisa é certa, jamais esquecerei estes, e tantos outros, momentos que passei convosco...

 

A nossa mestre, a nossa amiga, a nossa casa

Os rostos dividem-se entre a confirmação daquilo que sempre souberam que iria chegar e a incredulidade. Entre a mágoa e a angústia. Entre o riso e o choro. Entre a confiança e o desânimo. Entre o receio e o optimismo.
Só quem abraçou a A Capital e a sentiu como sua sabe o que ela é. O que representa. O que lá se vive. O que lá se aprende. O que lá se partilha.
Tudo isto, tal como o resto da História, não se repetirá jamais. Pelo menos é esta a minha crença. Mas nem tudo está perdido. Há que agarrar em tudo o que vivemos, aprendemos e construímos juntos e eternizar tudo isso noutros projectos, noutras pessoas, noutros lugares.
Devemos isso a A Capital. A nossa mestre, a nossa amiga, a nossa casa.

 

Ainda estão aí?

Afinal, andava eu a pensar que nunca mais escrevia nada para a A Capital e olha... cá estou eu de novo! Sei que não é a mesma coisa, mas o espírito mantém-se intacto. Por isso, estou aqui a pensar que hoje tinha de dar as notícias do mini-arrastão dos amigos do Miguel na Casa do Castelo (desmente lá isto Guedes!!); da derrota do FC Porto frente ao Arsenal; e do último GP de F1 com publicidade a tabaco - já agora, ganhou o Raikkonen na Húngria. Tinha estas e outras coisas para editar.
Lembro-me agora de um filme que fiz com o pessoal do jornal há uns bons sete anos, ainda eu mal tinha barba. No final, dizia para eles desligarem o vídeo que já não havia mais nada para ver na cassete. «Ainda estão aí?» - Disse-o várias vezes, mas eles não aceitaram o conselho. E não é que mesmo, mesmo no fim, afinal sempre havia mais qualquer coisa? Pode ser que agora a história se repita. Pelo que me seja possível, o nome d'A Capital não vai desaparecer. Nem que seja através deste blog.

 

Custa mesmo...

A notícia é terrivelmente dolorosa, mas chegar à banca onde sempre esteve A Capital - mesmo que um ou dois exemplares - à espera de um dos bons leitores e perceber que o espaço está vazio... custa muito. Mesmo sabendo que acabou, é nos próximos dias que mais vai custar. Sinto o vazio enorme de quem não conheceu mais nenhuma redacção...

 

Quase no fim...

A nossa experiência em A Capital está a acabar - ou se calhar já acabou mesmo. Mas este blog pode ser curiosíssimo de visitar daqui a uns meses...

 

Um espírito nunca morre...

Folhear a A Capital até ficarmos com os dedos negros já não é possível. No entanto, e apesar de nos terem roubado a casa a que tanto demos, onde muito aprendemos e onde fomos profissional e pessoalmente felizes, o espírito do jornal que morava no número 24 da Basílio Teles não pode morrer. Devemos-lhe isso e devemo-nos isso. É hora de levantar a cabeça e seguir em frente, mas nunca fez mal a ninguém olhar para trás uma ou outra vez. Para mim, A Capital não morreu, porque eu não permiti que ela morresse. Espero a mesma atitude de todos aqueles que também só podem sentir um enorme e imenso orgulho de nela terem trabalhado: a nossa A Capital.

 

Blogues!

acapital.blogspot.com
ocomerciodoporto.blogspot.com

Vão até lá. E participem se quiserem!
Sei que neste momento...quem ama o jornalismo e até mesmo quem já desistiu dele...entende o que estamos a passar!

Beijinhos!

 

Momento

Neste momento em que as forças são nulas...importa apenas mantermo-nos juntos. Tal como sempre fizemos aqui dentro nos momentos de maior dificuldade. Temos, obrigatoriamente, de nos agarrar às memórias felizes que passamos aqui dentro. E olhar para o futuro com um sorriso! Só assim venceremos este momento!

 

Já estamos no ar

... a malta está quase a chegar

This page is powered by Blogger. Isn't yours?

eXTReMe Tracker