sexta-feira, agosto 05, 2005

 
Ainda não assinei nada e, pela minha vontade, jamais rubricaria um papel que me fizesse abandonar a A Capital. Não fomos o melhor jornal do mundo, mas fomos, sem dúvida, uma redacção espectacular no dia-a-dia. Tenho pena, e falo por mim, que não fôssemos mais experientes, mais matreiros, pois continuo a achar que podíamos ter evitado este desenlace.. Eu estava disposto a ir para a guerra, mas já não estou. O hiperpragmático Nuno Guedes, em pleno Bairro Alto, disse-me uma ou duas coisas que me fizeram repensar a minha decisão. A mais importante delas todas tem a ver com a impossibilidade de a A Capital continuar tal como a vivemos, ou seja, com as mesmas pessoas e tudo aquilo que elas representam. É verdade, a A Capital, o jornal, para mim acabou mesmo sem ainda ter rescindido. Os que vierem - os que estão ali ao fundo da esquina a ver se nós bazamos - podem vir a vender muito mais do que 3 mil exemplares, mas jamais serão melhores do que nós. Lamento apenas que mais de vós não tivesse revelado, pelo menos, curiosidade em ouvir a proposta de cooperativa... no fundo compreendo-vos, mas não posso deixar de lamentar.

Comments:
Caro BP, a maior parte das pessoas, mesmo sendo "fixe", limita-se a seguir as oportunidades que aparecem. São muito poucas aquelas que decidem criar as suas próprias oportunidades, mas sem estas últimas o mundo não avança. ;-)
 
Também acho que pouca gente assistiu à apresentação da cooperativa. Percebo porquê: à primeira vista, o projecto também me pareceu uma utopia.

No entanto, do que ouvi, a ideia pode ser mais uma opurtunidade de trabalho (diferente, mas como outra qualquer) para as dezenas de jornalistas, gráficos, fotografos, publicitarios, que, num mercado já mau, ficaram sem emprego em Lisboa e no Porto.
 
Podia ter assistido, mas já tinha adiado as férias de uma pessoa por causa deste problema- e menos um dia de férias faz muita diferenca para quem ainda está empregado. Mesmo assim, nao acredito nessa solucao. Penso que todos sabemos que A Capital já tem o futuro desenhado há muito tempo, curiosamente todas as negociacoes falharam. Tentar nao faz mal, é certo, mas para mim é estar a prolongar um sofrimento e um sonho que nunca vai passar disso mesmo. Espero estar errado. (Mais uma vez, desculpa pela falta de acentos, mas o teclado deste PC é camone!!!)
 
Bruno:
Bem sabes o quanto eu desejaria acreditar na ideia da cooperativa. Mas Bruno, o Raminhos tem razão: a Capital acabou! É um facto. Não há retrocesso. Acreditar na ressureição deste jornal é uma utopia. Já bastou a dureza da facada. A dureza que foi o dinheiro afastar e dilacerar esta equipa. Lamento mas eu sou uma dessas que não esteve a ouvir. Já não tenho forças por lutar por ago em que não consigo ver luz ao fundo do túnel. Lamento. Beijinho grande desta tua colega e sempre amiga.
 
Eu estou com o Guedes. A ideia é boa e tem pernas para andar. Mas a ideia de poder ser com o nome d'A Capital é que não me convence. Não acredito que Espanha fosse na cantiga.
 
Eu também não acredito que os donos do nome "A Capital" o vendam.
Como já disse ao Bruno, A Capital, como a conhecemos hoje, acabou, e não vale a pena ter ilusões.
O título poderá renascer nas mãos de outro proprietário, mas não terá nada a ver com o projecto, e sobretudo com as pessoas, com quem trabalhámos durante estes anos.

No entanto, (e como muitos não estiveram na apresentação da cooperativa, não sabem), os mentores da ideia comprometeram-se a, caso as negociações com os nossos patrões espanhóis falhem, começar um novo jornal de raiz com a mesma lógica cooperativa que, como qualquer outro projecto, pode ou não falhar.


PS. Raminhos: compreendo perfeitamente porque foste de férias. No teu lugar, também já tinha partido.
Quanto aos acentos... estamos na net (!!!) e, por enquanto, ainda não contratámos um revisor :)

PS 2. Eu próprio ainda não sei se adiro à cooperativa, apesar de reconhecer uma possível viabilidade na ideia.
 
Entendidos na matéria dizem-me que a ideia da cooperativa tem pernas para andar, isto depois de cortar pela raiz algumas ideias utópicas que com ela vêm associadas. Compreendo a tua mágoa Bruno, mas tenta perceber que as últimas semanas foram muito complicadas e as pessoas precisam de algum tempo para recompor as suas vidas e partir para outra. Mesmo que essa outra seja A Capital, que não será a mesma, garantidamente.

Eu acho que começo a acreditar na cooperativa. Agora é uma questão de tempo para que a ideia ganhe os primeiros contornos de viabilidade.
 
o pessoal pode estar descrente e tudo o mais (eu também estou), MAS:

1) ficou decidido, na segunda-feira, que nos dessem mais explicações sobre a ideia da cooperativa. para isso marcou-se uma reunião para quinta e ninguém disse que não vinha! era uma questão de respeito marcar presença (salvo quem não podia mesmo, claro).

2) uma coisa é não saber do que estamos a falar. outra é não querer saber. se calhar, preferem saber como funciona o subsídio de desemprego. enfim...

resumindo, foi uma grande desilusão ver apenas 10/15 gatos pingados assistir às explicações que nos deram sobre as alternativas possíveis.

o meu muito obrigado ao pessoal do Comércio que veio cá abaixo, bem como ao sindicato e ao "rei" das cooperativas, que foi de uma generosidade extraordinária
 
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