quarta-feira, agosto 03, 2005

 

PT nega financiamento de partidos no Brasil

A Portugal Telecom (PT) reiterou hoje nunca ter participado em encontros para discutir ou negociar financiamento de partidos políticos brasileiros e nega ter contactado o empresário Valério de Souza durante o mês de Janeiro.
Roberto Jefferson acusou, terça-feira, no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados do Brasil o antigo ministro da casa Civil da Presidência José Dirceu de tentar que a Portugal Telecom financiasse ilegalmente partidos brasileiros, o que este negou "de forma peremptória".
Roberto Jefferson disse que o ex-ministro marcou um encontro entre presidente Lula da Silva e a direcção da Portugal Telecom no final de 2004.
"Depois, (o ex-ministro) autorizou emissários a ir a Portugal em nome do PT e do PTB para negociarmos lá um acordo que pusesse em dia as contas dos dois partidos", denunciou Jefferson, que presidiu ao PTB.
Horas depois da declaração de Roberto Jefferson, o publicitário Marcos Valério, responsável pela movimentação de milhões de reais de um "saco azul" do PT, reconheceu que esteve em Lisboa para um encontro com a direcção do grupo português, entre os dias 24 e 26 de Janeiro deste ano.
A Portugal Telecom negou hoje "de forma categórica e veemente que tenha mantido reuniões ou qualquer tipo de contacto com os senhores Marcos Valério de Souza e Emerson Palmieri nos dias 24, 25 e 26 de Janeiro de 2005, em Lisboa".
A empresa admite ter mantido contactos com Valério de Souza, mas "no contexto da Portugal Telecom estar potencialmente interessada na aquisição da Telemig".
A operadora portuguesa explica, por outro lado, que "por força das suas actividades empresariais, a Portugal Telecom mantém de forma sistemática contactos institucionais" e que "foi recebida oficialmente por duas vezes em audiência" pelo presidente do Brasil, "Luiz Inácio Lula da Silva, com o objectivo de comunicar novos investimentos realizados no Brasil".
"A Portugal Telecom assegura que nunca participou em qualquer encontro com o objectivo de discutir ou negociar operações que envolvessem o financiamento de partidos políticos brasileiros", reitera.
O grupo de telecomunicações diz estar "à disposição das autoridades brasileiras para prestar todos os esclarecimentos necessários, visando eliminar quaisquer dúvidas que possam persistir".
O jornal Folha de São Paulo noticia hoje que a doação supostamente negociada entre dois partidos políticos brasileiros e a Portugal Telecom seria de 100 milhões de reais (35 milhões de euros).
O jornal refere que o publicitário Valério de Souza foi "obter informações sobre a transferência de 600 milhões de dólares do Instituto de Resseguros do Brasil (uma empresa estatal brasileira) depositados num banco do Reino Unido para o BES".
Em contrapartida, os dois partidos PT e PTB receberiam cerca de 100 milhões de reais do Banco Espírito Santo, escreve a Folha de São Paulo.
O publicitário afirmou que foi acompanhado pelo tesoureiro do PTB, Emerson Palmieri, mas que tratou de interesses comerciais, e não de doações a partidos políticos.
O objectivo do encontro, segundo Marcos Valério, foi apresentar-se à Portugal Telecom, na época interessada na aquisição da Telemig Celular, uma operadora de telefonia móvel do Estado de Minas Gerais.
As empresas de publicidade de Marcos Valério, DNA e SMP&B, ambas sedeadas na capital Belo Horizonte, trabalham para a Telemig Celular.

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