sexta-feira, julho 28, 2006

 

O «adeus» que não foi um «até já»...

«A Capital» fechou as portas há um ano
O «adeus» que não foi um «até já»...

«Espera-se que não seja um "adeus”, mas apenas um “até já”». A 30 de Julho de 2005, os jornalistas de «A Capital» ansiavam por um rápido regresso do jornal cuja morte há muito estava anunciada.
Um ano depois, o título continua suspenso e o desejo dos antigos profissionais de o ressuscitarem acabou por perecer com o fim da publicação.
No próximo domingo faz um ano que «A Capital» saiu pela última vez para as bancas. Alguns ainda continuam a ser jornalistas mas outros desistiram, tendo rumado para «outras aragens», como diz o poeta, empurrados pelos ventos de mudança.
O DIABO recorda a efeméride através de duas vozes que apesar de não falarem em uníssono, partilham as mesmas saudades. Se para o último director, Paulo Narigão Reis, a velhinha «A Capital» «faz parte do passado», para uma das poucas «almas» que restava daquela redacção, nem tanto. Appio Sottomayor, jornalista e cronista, continua a «sofrer» com o fecho da casa que o acolheu no longínquo ano de 1969. Um ano depois, a «A Capital» continua morta, à espera que a tragam de novo para as bancas.

«Ainda não me disciplinei»

«Já tinha assistido, do lado de fora à morte de jornais, como “O Século”, “República”, “Diário de Lisboa”, “Diário Popular” e outros mais. Era duro de ver», começa por recordar Appio Sottomayor. Ainda assim, o antigo jornalista de «A Capital» diz que «num sentimento que talvez se confunda com um egoísmo intuitivo» nunca pensou «vir a sofrer as mesmas dores figurando como uma das personagens da peça».
Ainda com muita tristeza à mistura relembra como soube do fecho do «seu» jornal: «Aconteceu há um ano. De repente, um telefonema para casa punha-me a par da situação. “A Capital” ia fechar dentro de horas. Assim, à má fila, como se me dissessem que um parente chegado tinha sofrido um ataque fulminante».
No «mar encapelado que é o dos jornais», «A Capital», refere, «tinha já sofrido altos e baixos. Mas sempre resistira e atravessara mesmo períodos de franco progresso — talvez devido ao trabalho, ao entusiasmo, ao amor à camisola demonstrados por uns tantos».
Conhecedor como ninguém da toponímia lisboeta — tendo sido nas páginas deste diário que, em grande parte a deu a conhecer — Appio Sottomayor partilha a dor que ainda hoje vive dentro de si: «Dizer que o tempo tudo cura seria, no caso, hipócrita mentira. Por mim, ainda não me disciplinei. Ainda não deixei de pensar no tema para a crónica de amanhã, mesmo sabendo que não será escrita. Ainda não me habituei a não ter ideias para apresentar ao director ou à chefia. Ainda não consegui parar de projectar almoços com os camaradinhas que podiam ser meus filhos, naquele saudável intercâmbio de experiências de gerações diferentes e que tanta falta me faz».
Prometeu mudar de vida. E mudou mesmo. Paulo Narigão Reis, o último director de «A Capital», esteve 11 anos neste jornal e, com o fim da publicação, abandonou o jornalismo após 13 anos dedicados à profissão. Hoje, afirma que «o passado é passado» e garante que saudades tem apenas «da redacção e dos camaradas» da Basílio Telles, onde se situava a última morada do diário lisboeta. Apesar de gostar de ser jornalista, Paulo Reis não arrisca na possibilidade de o título voltar às bancas, tudo, porque, «cada vez mais deixa de haver espaço para jornais diários».

Do papel para a Internet

Sem papel para a tinta correr, os jornalistas de «A Capital» continuam a partilhar as suas vidas através da Internet. Encontraram, por isso, um espaço para o exterior de forma a manterem viva a alma do jornal de que um dia fizeram parte. Em www.jornalacapital.blogspot.com partilham as novas experiências, e mantêm o (pouco) estado de espírito que ainda lhes sobra para seguir em frente. Apesar de os rumores que têm surgido na comunicação social sobre a possibilidade de alguns grupos adquirirem o título, os jornalistas de «A Capital» já não acreditam nessa hipótese, e sabem que caso isso venha a acontecer, já não farão parte de uma futura redacção. «O fim de “A Capital” foi o fim de um ciclo para todos nós. Se o jornal ressuscitar, serão outros e não nós que constituirão essa nova “Capital”. O “adeus” não foi o “até já”. Nem há um ano, nem nunca!», resume uma antiga jornalista.

Publicado na Edição de 25 de Julho de O DIABO

Beijinhos para todos!

quinta-feira, julho 27, 2006

 

Jantar d´A Capital

Ora bem, num texto com voz da grande fadista Ana Oliveira, com letra minha e com acompanhamento à guitarra de Bruno Silva e Teresa de Oliveira Martins, segue então um convite:

Como todos se devem lembrar, faz dia 31 de Julho um ano que a nossa 'A Capital' fechou portas. Assim sendo, estão todos convocados para um mega jantar de confraternização. Cada um terá a sua vida reorganizada (e ainda bem!), mas há muito que não estamos todos juntos e, como tal, não há desculpas para faltar. Não queremos lágrimas, depressões nem más energias. Queremos muito boa disposição, o que caso não aconteça, teremos duas salas privadas à disposição. Uma com três ucranianas e outra com o Zezé Camarinha. Caso alguma alminha tenha a amabilidade, pode ser que tenhamos também bolo. E pronto, é isto que temos para propor, as reclamações podem ser dirigidas para o e-mail da Ana Oliveira: anagomoli@gmail.com . Tudo o que for elogios, graças, bajulação ou até graxa descarada pode ser enviado para o meu próprio e-mail: claudio.delicado@gmail.com

O jantar de ex-combatentes terá lugar no Restaurante Cervejanário, no Parque das Nações, às 21 horas. A morada é Passeio de Neptuno, Ed. Marina Terrace – loja 9 - 1990-193 Lisboa. Se quiserem confirmar se não se trata de uma reunião da Tupperware, podem fazê-lo para o próprio telefone do Restaurante - 21 894 60 45. O preço é 16 euros e inclui: entradas (pão, manteiga, paté), salada mista, prato principal (lombo de porco recheado com farinheira + batata assada + mix legumes), sobremesa (mousse de manga ou baba de camelo), bebida e café. Alguns já conhecem o restaurante, uma vez que foi é o mesmo onde teve lugar a festa natalícia do ano passado.

Agradeço confirmação até amanhã. Alguma dúvida mandem mail.

E agora um grande favor: Não tenho o mail de algumas pessoas (em especial fotografia, gráficos e publicidade), como tal pedia que passassem palavra ao maior número de pessoas possível.

This page is powered by Blogger. Isn't yours?

eXTReMe Tracker