quinta-feira, fevereiro 15, 2007

 

E agora?

E agora, legalizada a IVG até às 10 semanas, o que esperamos do Estado português? Para já assistimos a contradições dentro do próprio PS/Governo sobre o período de reflexão das mulheres que pretendem «matar» a «coisa humana» - como lhe chamou a «coisa» denominada Lídia Jorge. Não sabemos em que moldes haverá consultas de aconselhamento. Desconhecemos, por exemplo, em que condições pode uma menor abortar. Já vimos médicos - que integraram movimentos a favor do «sim» - dizer que o Serviço Nacional de Saúde não tem condições para levar a cabo a IVG, tendo em conta que se realizam 80 mil abortos por anos em Portugal. Inclusivamente vimos esses mesmos médicos a apelar ao Estado para recorrer aos privados.
Um mar de dúvidas que não têm respostas.
Para os que acham que a vitória no «sim» no referendo foi também uma batalha ganha do Primeiro-Ministro, gostava que José Sócrates respondesse positivamente a estas questões. Pelo menos há uma guerra que o líder socialista venceu: a da LIBERALIZAÇÃO da IVG.

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

 
Aborto

Controversa. Polémica. E discutível. Assim vai a discussão sobre a Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG). Para a maioria, senão mesmo a totalidade das igrejas, o aborto é um crime intolerável contra um inocente indefeso. Para uma grande parte de não religiosos é, não só o recurso extremo para uma gravidez indesejada, como ainda, uma forma de proteger a mulher contra o aborto clandestino que quase sempre deixa sequelas e muitas vezes ceifa vidas.Legalizada ou não, a prática da IVG parece ser corrente na nossa sociedade, embora e quase sempre em situação de desastre inevitável. Se é certo que a sua proibição não trará qualquer diminuição à sua prática, certo é também, que a sua legalização poderá vir, pelo menos, diminuir o catastrófico da morte.Na minha opinião o que o Governo pede a todos os portugueses no próximo dia 11 é apenas a liberalização. E é esse o dilema e a confusão que pelo menos em mim está a criar. Enquanto mulher. E enquanto cidadã. Porque, ao contrário, do que tendem a passar os defensores do sim — que apregoam em alto e bom som a despenalização — esta última não é alcançada com a lei em causa. Toda a mulher que abortar às 10 semanas e um dia continua a ser criminosa.Considero por isso que a discussão não é séria. Primeiro, porque é a lei do Partido Socialista que os portugueses vão escrutinar. Segundo, porque o PS não assume, honesta e politicamente, como seria de esperar, que não é de despenalização que se trata. E terceiro, porque está a enganar os portugueses ao não dizer o que acontecerá se o resultado do referendo for vinculativo.Uma coisa é certa, as pessoas que são contra a IVG consideram-na um crime e as que o aceitam dividem-se em relação ao momento em que se aborta e as circunstâncias que levam as mulheres a praticá-lo. Falta saber se o embrião é uma «pessoa» ou se é apenas material genético. Não nos podemos esquecer que a prática do aborto é uma realidade e passa por saber em que condições será realizado. E é isso que precisamente não sabemos.Por fim, acho lamentável que esta campanha esteja, mais uma vez, a ser vergonhosamente partidarizada. Um PS que não olha a meios para fazer aprovar uma lei «mal feita». Um PSD que opta por não ter posição oficial mas cujo presidente faz campanha pelo «Não». (Seria mais lógico o maior partido da oposição — que doutrinariamente defende o «Não» — assumi-lo oficialmente. Prefere antes ser demagógico…). Um CDS, agarrado à matriz ideológica, que não sabe evoluir no discurso, mesmo sendo pelo direito à vida. E um PCP — morto por dentro — e um BE — fundamentalista por fora e despido de ideologia interna — que apelam obsessivamente ao «sim». Assim vai, passo a passo, o debate sobre o referendo neste País!
Por tudo isto continuo indecisa. Não sei qual o sentido do meu voto. Veremos se até dia 11 consigo chegar a um consenso INTERIOR!

P.S - O pessoal anda mesmo todo ocupado. Compreendo muito bem. Mas já que tanto se fala de aborto, porque não discutirmos a questão aqui? Para reanimar o blogue? Deixo a sugestão. Beijinhos e abraços para todos!

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