quinta-feira, fevereiro 01, 2007

 
Aborto

Controversa. Polémica. E discutível. Assim vai a discussão sobre a Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG). Para a maioria, senão mesmo a totalidade das igrejas, o aborto é um crime intolerável contra um inocente indefeso. Para uma grande parte de não religiosos é, não só o recurso extremo para uma gravidez indesejada, como ainda, uma forma de proteger a mulher contra o aborto clandestino que quase sempre deixa sequelas e muitas vezes ceifa vidas.Legalizada ou não, a prática da IVG parece ser corrente na nossa sociedade, embora e quase sempre em situação de desastre inevitável. Se é certo que a sua proibição não trará qualquer diminuição à sua prática, certo é também, que a sua legalização poderá vir, pelo menos, diminuir o catastrófico da morte.Na minha opinião o que o Governo pede a todos os portugueses no próximo dia 11 é apenas a liberalização. E é esse o dilema e a confusão que pelo menos em mim está a criar. Enquanto mulher. E enquanto cidadã. Porque, ao contrário, do que tendem a passar os defensores do sim — que apregoam em alto e bom som a despenalização — esta última não é alcançada com a lei em causa. Toda a mulher que abortar às 10 semanas e um dia continua a ser criminosa.Considero por isso que a discussão não é séria. Primeiro, porque é a lei do Partido Socialista que os portugueses vão escrutinar. Segundo, porque o PS não assume, honesta e politicamente, como seria de esperar, que não é de despenalização que se trata. E terceiro, porque está a enganar os portugueses ao não dizer o que acontecerá se o resultado do referendo for vinculativo.Uma coisa é certa, as pessoas que são contra a IVG consideram-na um crime e as que o aceitam dividem-se em relação ao momento em que se aborta e as circunstâncias que levam as mulheres a praticá-lo. Falta saber se o embrião é uma «pessoa» ou se é apenas material genético. Não nos podemos esquecer que a prática do aborto é uma realidade e passa por saber em que condições será realizado. E é isso que precisamente não sabemos.Por fim, acho lamentável que esta campanha esteja, mais uma vez, a ser vergonhosamente partidarizada. Um PS que não olha a meios para fazer aprovar uma lei «mal feita». Um PSD que opta por não ter posição oficial mas cujo presidente faz campanha pelo «Não». (Seria mais lógico o maior partido da oposição — que doutrinariamente defende o «Não» — assumi-lo oficialmente. Prefere antes ser demagógico…). Um CDS, agarrado à matriz ideológica, que não sabe evoluir no discurso, mesmo sendo pelo direito à vida. E um PCP — morto por dentro — e um BE — fundamentalista por fora e despido de ideologia interna — que apelam obsessivamente ao «sim». Assim vai, passo a passo, o debate sobre o referendo neste País!
Por tudo isto continuo indecisa. Não sei qual o sentido do meu voto. Veremos se até dia 11 consigo chegar a um consenso INTERIOR!

P.S - O pessoal anda mesmo todo ocupado. Compreendo muito bem. Mas já que tanto se fala de aborto, porque não discutirmos a questão aqui? Para reanimar o blogue? Deixo a sugestão. Beijinhos e abraços para todos!

Comments:
Essa do PCP morto por dentro... os gajos até são bem vivos...
E nesta campanha tem batido tudo e todos aos pontos!
Eu voto SIM.... porque sim!
CM
 
intervenção voluntária da gravidade

não sei se tiro
não sei se fico
corro sozinha, neste campo de tiro
até que a gravidade me puxe para o chão
até que a liberdade me puxe para o chão
esta é e sempre será a minha posição
minha e só minha
recuso esta democracia de algibeira
esta negação sem eira nem beira
debate de domingo, dia de feira
sou apenas uma mulher
uma puta, uma freira
doméstica, rameira
sou o que a vontade quiser...apenas uma mulher
corro sozinha, neste campo de tiro
não sei se fico
não sei se tiro
amor de vão de escada
esconde-se a história
afia-se a faca
não me arrependo de nada...quero apenas viver
que me deixem escolher
correr sozinha, morrer
com a dignidade dos homens
até que a gravidade me puxe para o chão
até que a liberdade me puxe para o chão
sou apenas uma mulher
vou ter um filho, neste campo de tiro
 
Eu voto sim.
Se o «não» ganhar, mais um vez se prova que o nosso país é ainda Terceiro Mundista.

Vence a hipocrísia. Vence o Portugal bacoco e falso moralista.

Vence o Portugal da Média e atrasado. O Portugal em que a Igreja Católica - num Estado que se diz, laico (só diz mas não é) - ameaça e condiciona a votação livre e denocrática com argumentos ridículos.

Esepro que a 11 de Fevereiro os portugueses mostrem que já não vivem na Idade Média. Caso aconteça o contrário, para mim seremos sempre um país bacoco, triste, atrasado... enfim, um país preso aos dogmas da Igreja que tanto tem contribuído para a situação catastrófica em nos encontramos.

Já agora, para terminar, um pequeno apontamento sobre a campanha: Porque razão, os defensores do não vêm agora- depois de terem aprovado a pergunta do referendo - propor
a alteração da lei se o não vencer.

Afinal, a Lei é para cumprir ou é letra morta? É, realmente, depolerável este tipo de actuação. Como as sondagens não são favoráveis, tenta-se, a todo o custo, enganar as pessoas com argumentos que nem estão em discussão.
Pelos vistos, para os senhores e senhoras do «não» vale tudo. Depois de usarem bebés em caminhadas PELA VIDA; padres e bispos a ameaçar os crentes católicos de não irem para o céu se votarem «não»; distribição de panfeletos nas mochilas das crianças de creches com a história de um feto que não quer ser morto; agora decidiram inventar mais isto.
Continuem.
 
DEUS É GRANDE...
cm
 
Eu voto sim... porque sim!
 
Quem vota por cores políticas está desde logo a partir de um mau pressuposto. Acho que a questão até é simples.

Quer se vote sim ou não, há uma realidade: vai continuar a haver abortos. Por isso, mais vale deixar as pessoas fazê-los em segurança.

Quem vota não, diz que é a favor da vida... tudo bem.

Mas não é por ela votar não que a vizinha do lado vai deixar de fazer um aborto se achar que não há mais soluções.

Mesmo que se vote sim, os grupos de apoio à vida podem continuar a tentar proteger as pessoas e a tentar evitar abortos. Será sempre de salutar

Para os senhores da Igreja que defendem a vida e chamam os outros de criminosos... quem são eles para julgar e apontar o dedo quando o próprio Jesus Cristo, na hora da morte, perdiu perdão por aqueles que o cruxificaram?

Chamam a mães que abortam de criminosas... então e se a mãe morrer porque não fez um aborto em condições também não serão eles culpados por terem votado não e impedido as pessoas de terem os meios necessários?
 
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