quinta-feira, janeiro 31, 2008

 

POVO de LISBOA - 1

Sempre gostei destas crónicas que no ano de 2001/2002 sairam no jornal A CAPITAL na última página... fotografei umas quantas e escrevi duas... esta deu muito gozo.
O João Nascimento corrigiu os erros e meteu virgulas onde não tinha - thanx bro!


O HOMEM da GINJINHA
Manuel Sousa trabalha numa adega muito especial.
A Ginjinha Sem Rival na rua das Portas de Santo Antão, ali perto do Rossio.
Desde 1968 que este minhoto nascido há 52 anos em Ponte da Barca, trocou a terra que o viu nascer pela capital, e um trabalho na lavoura por este de vender licores em pequenos copos de cristal. Dentro do licor vão quase sempre pequenas cerejas bravas conhecidas no nosso país por ginjas.
A “Sem Rival” já existe há mais de 125 anos naquele local e os fregueses certos mais os turistas não dão descanso a Manuel Sousa que de tanto rolar a garrafa pelo balcão de madeira já o desgastou cerca de cinco centimetros de fundo.
A velha garrafa de cristal cheia de licor com formula secreta e quase meia de frutos acastanhados enche centenas de copos todos os dias… a precisão com que Manuel deixa escorrer o licor para os copos deixando passar sómente 4 ou cinco frutos é digna de se ver. Esta bebida custa agora 50 centimos um copo pequeno e 80 centimos um grande – suficiente para levar quase meia dúzia de ginjas mais um gole deste licor tão apreciado pelos alfacinhas.
Muitos fregueses bebem a ginja de um só gole, outros bebem aos sorvos e apreciam o paladar… todos sem excepção cospem os pequenos caroços para o passeio da frente da taberna.
No entanto Manuel de Sousa ainda se lembra de nos anos sessenta quando aqui começou a trabalhar os mesmos copos custarem 8 e 13 tostões respectivamente, ou seja menos de um escudo e cinquenta centavos. Viajar de Ponte da Barca para Lisboa foi a maneira de escapar à dura vida no campo. Os seus pais e os quatro irmãos ficaram a tratar da terra e Manuel veio à procura de melhor trabalho na capital. Gostou tanto deste emprego vendendo licores que foi ficando e é com um sorriso nos olhos que responde às nossas perguntas enquanto vai aviando os fregueses que chegam – “com ou sem elas?” é o que pergunta mais todos os dias… às vezes vem muitos turistas! Espanhois, brasileiros são também grandes apreciadores do afamado licor que não contentes com o que bebem logo ali de pé ainda carregam para os seus países Ginja Sem Rival e Eduardino engarrafados. Para os apreciadores há ainda a versão “ginja especial” a 1.15 euros cada copo – sempre sem elas!
A ginjinha é um excepcional aperitivo e um óptimo digestivo – tudo pró e a um preço sem concorrência!
António Melão

PS Passados 6 anos - a casa sofreu obras, o balcão foi mudado, os copos agora são de plástico e a ASAE deve andar de olho na formula desta bebida tão lisboeta...

quarta-feira, janeiro 23, 2008

 

PALESTINOS ESTRAGAM MURO DE ISREALITAS...

Nem dá para acreditar.... o trabalho que aquilo deu a construir e meia dúzia de barras de gelamonite e "pum" - lá se foi a barreira que não deixava os palestinos do Hamas, na faixa de Gaza irem às compras ao Egipto...
Aquilo deve ter custado uma fortuna... kilos e kilos de cimento... e "pum" já era... ficou um buraco logo aproveitado para ir aos caramelos... parece que já não tinham nem farinha para fazer pão, nem gasoil, nem nada... que o país é independente, tem governo e tal mas quem manda são os vizinhos... os que construiram o muro, claro está!
E as Nações Unidas não resolvem a situação?
Tá mal... para os dois lados, mas mais para os do Hamas...
CM

segunda-feira, janeiro 07, 2008

 

EUA em apuros... Indios Lakota querem as suas terras de volta


Os líderes índíos Lakota, uma das sete tribos Sioux, cujos chefes mais famosos, durante a colonização dos Estados Unidos, foram «Sitting Bull» e «Crazy Horse» romperam os 33 tratados firmados pelos seus antepassados, há mais de 150 anos, com o governo americano. A decisão foi comunicada na passada quarta-feira, em Washington, em conferência de imprensa, após os Lakota terem informado o Departamento de Estado, 48 horas antes.
“Não somos mais cidadãos dos Estados Unidos da América e todos os que vivem nas regiões dos cinco estados que são nosso território estão livres para se unir a nós”, declarou Russel Means. O controverso e contestado activista dos direitos civis dos índios americanos anunciou que “todos os habitantes dos nossos territórios” [Montana, Wyoming, Nebraska, Dakota do Sul e Dakota do Norte] “que renunciarem à cidadania” estadunidense terão “direito a passaporte, carta de condução e a não pagar impostos”. Means sublinhou que os tratados são “palavras sem valor, sobre papel sem valor” que foram “violados repetidamente para usurpar a nossa cultura, a nossa terra e os nossos costumes”.
A delegação Lakota visitou, em Washington, as embaixadas da Bolívia, Chile, Venezuela e África do Sul. Idênticas iniciativas diplomáticas serão realizadas no estrangeiro durante os próximos meses, revelou a delegação aos jornalistas presentes. Russel Means, que assumiu a causa desde 1968, apresentou argumentos jurídicos que, alegadamente, justificam a decisão dos índios Lakota nos planos do Direito Internacional e da própria Constituição norte-americana.
“A nossa decisão está conforme as leis dos Estados Unidos, em particular com o artigo 6.º da Constituição”, segundo o qual “os tratados são a lei suprema da nação”, sublinhou. “Também se enquadram nas leis e tratados aprovados na Convenção de Viena, ratificados pelos Estados Unidos e pela comunidade internacional [1980]. (…) Estamos legalmente a defender os nossos direitos a ser livres e independentes”, sublinhou. A ONU aprovou, em Setembro passado, uma declaração não vinculativa sobre os direitos dos povos indígenas. Os Estados Unidos votaram contra argumentando que colide com a legislação em vigor no país.
Durante a conferência de imprensa Lakota, foram divulgados factos que pouco abonam a favor da cruzada global estadunidense - ancorada na estratégia político-militar da “Guerra contra o Terror” - de disseminação dos valores da Liberdade, da Democracia e dos Direitos Humanos.
No que toca, especificamente, aos direitos, liberdades e garantias dos povos indígenas americanos, a actual e anteriores administrações da Casa Branca, deixaram algumas pesadas heranças. A comunidade Lakota diz ser uma das mais atingidas:
Os homens Lakota têm uma expectativa média de vida inferior a 44 anos, uma das mais baixas do mundo;
A taxa de suicídios entre os jovens Lakota é 150% superior à média estadunidense;
A mortalidade infantil é 300% superior à média do país;
A taxa de mortalidade é a mais alta dos EUA;
Mais de 50% dos adultos das reservas são viciados em drogas ou o seu estado de saúde é precário;
A taxa de tuberculose nas reservas Lakota é 800% superior à média nacional;
O alcoolismo afecta 8 em cada 10 famílias;
O rendimento médio anual de um Lakota oscila entre os USD 2 600-3 500;
1/3 das habitações não possui água potável nem saneamento básico;
Cerca de 40% não possui energia eléctrica;
Elevada percentagens (60%) das habitações dos membros da tribo está infectada com “fungos potencialmente letais” ;
Cerca de 97% dos Lakota vivem abaixo do limiar de pobreza;
A taxa de desemprego nas suas reservas é, no mínimo, de 85%;
O programa alimentar “Federal Commodity Food Program” fornece alimentos com elevadas doses de açúcar que matam os indígenas através da diabetes e de doenças cardio-vasculares;
A língua Lakota está à beira da extinção, sendo oficialmente classificada como “Língua em Risco de Extermínio”.
“O nosso povo quer viver, não apenas sobreviver, rastejar e sermos mascotes”, afirmou na conferência de imprensa Phyllis Young, fundadora da organização cívica feminina índia «Women of All Red Nations, Rapid City, Dakota do Sul.
“Não queremos embaraçar os Estados Unidos. Estamos a lutar pelos nossos filhos e netos”, disse. Na ocasião, Phyllis Young sublinhou também que “esta é uma batalha que não será ganha enquanto eu for viva”.
in http://www.lawrei.eu/MRA_Alliance/

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