segunda-feira, janeiro 07, 2008

 

EUA em apuros... Indios Lakota querem as suas terras de volta


Os líderes índíos Lakota, uma das sete tribos Sioux, cujos chefes mais famosos, durante a colonização dos Estados Unidos, foram «Sitting Bull» e «Crazy Horse» romperam os 33 tratados firmados pelos seus antepassados, há mais de 150 anos, com o governo americano. A decisão foi comunicada na passada quarta-feira, em Washington, em conferência de imprensa, após os Lakota terem informado o Departamento de Estado, 48 horas antes.
“Não somos mais cidadãos dos Estados Unidos da América e todos os que vivem nas regiões dos cinco estados que são nosso território estão livres para se unir a nós”, declarou Russel Means. O controverso e contestado activista dos direitos civis dos índios americanos anunciou que “todos os habitantes dos nossos territórios” [Montana, Wyoming, Nebraska, Dakota do Sul e Dakota do Norte] “que renunciarem à cidadania” estadunidense terão “direito a passaporte, carta de condução e a não pagar impostos”. Means sublinhou que os tratados são “palavras sem valor, sobre papel sem valor” que foram “violados repetidamente para usurpar a nossa cultura, a nossa terra e os nossos costumes”.
A delegação Lakota visitou, em Washington, as embaixadas da Bolívia, Chile, Venezuela e África do Sul. Idênticas iniciativas diplomáticas serão realizadas no estrangeiro durante os próximos meses, revelou a delegação aos jornalistas presentes. Russel Means, que assumiu a causa desde 1968, apresentou argumentos jurídicos que, alegadamente, justificam a decisão dos índios Lakota nos planos do Direito Internacional e da própria Constituição norte-americana.
“A nossa decisão está conforme as leis dos Estados Unidos, em particular com o artigo 6.º da Constituição”, segundo o qual “os tratados são a lei suprema da nação”, sublinhou. “Também se enquadram nas leis e tratados aprovados na Convenção de Viena, ratificados pelos Estados Unidos e pela comunidade internacional [1980]. (…) Estamos legalmente a defender os nossos direitos a ser livres e independentes”, sublinhou. A ONU aprovou, em Setembro passado, uma declaração não vinculativa sobre os direitos dos povos indígenas. Os Estados Unidos votaram contra argumentando que colide com a legislação em vigor no país.
Durante a conferência de imprensa Lakota, foram divulgados factos que pouco abonam a favor da cruzada global estadunidense - ancorada na estratégia político-militar da “Guerra contra o Terror” - de disseminação dos valores da Liberdade, da Democracia e dos Direitos Humanos.
No que toca, especificamente, aos direitos, liberdades e garantias dos povos indígenas americanos, a actual e anteriores administrações da Casa Branca, deixaram algumas pesadas heranças. A comunidade Lakota diz ser uma das mais atingidas:
Os homens Lakota têm uma expectativa média de vida inferior a 44 anos, uma das mais baixas do mundo;
A taxa de suicídios entre os jovens Lakota é 150% superior à média estadunidense;
A mortalidade infantil é 300% superior à média do país;
A taxa de mortalidade é a mais alta dos EUA;
Mais de 50% dos adultos das reservas são viciados em drogas ou o seu estado de saúde é precário;
A taxa de tuberculose nas reservas Lakota é 800% superior à média nacional;
O alcoolismo afecta 8 em cada 10 famílias;
O rendimento médio anual de um Lakota oscila entre os USD 2 600-3 500;
1/3 das habitações não possui água potável nem saneamento básico;
Cerca de 40% não possui energia eléctrica;
Elevada percentagens (60%) das habitações dos membros da tribo está infectada com “fungos potencialmente letais” ;
Cerca de 97% dos Lakota vivem abaixo do limiar de pobreza;
A taxa de desemprego nas suas reservas é, no mínimo, de 85%;
O programa alimentar “Federal Commodity Food Program” fornece alimentos com elevadas doses de açúcar que matam os indígenas através da diabetes e de doenças cardio-vasculares;
A língua Lakota está à beira da extinção, sendo oficialmente classificada como “Língua em Risco de Extermínio”.
“O nosso povo quer viver, não apenas sobreviver, rastejar e sermos mascotes”, afirmou na conferência de imprensa Phyllis Young, fundadora da organização cívica feminina índia «Women of All Red Nations, Rapid City, Dakota do Sul.
“Não queremos embaraçar os Estados Unidos. Estamos a lutar pelos nossos filhos e netos”, disse. Na ocasião, Phyllis Young sublinhou também que “esta é uma batalha que não será ganha enquanto eu for viva”.
in http://www.lawrei.eu/MRA_Alliance/

Comments:
Admira-me é ainda haver indios...
J Moura
 
Admira-me é ainda haver este blog...
 
Carolice minha mr. bitaites... não ligues... nem percas tempo...
CM
 
Porque é que o blog não muda de nome?? Há muito que deixou de ser o blog da malta da Capital... Que tal "Devaneios de um metálico"? Parece-me bem...
 
Quanto é que custa o trespasse? Vou pensar nisso...
CM
 
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